
ABRADEQ – Associação Brasileira de Assistência aos Dependentes Químicos |
A LUTA CONTINUA: SOCIEDADE SE UNE EM PROL DE RESGATE AOS DEPENDENTES QUÍMICOS
Epidemia do crack: 100 mil usuários só no Ceará

Tema foi discutido nesta segunda (28) na abertura do I Fórum Cearense sobre o crack e outras drogas
Com cerca de 1,2 milhões de usuários no Brasil, 100 mil só no Ceará, o crack está se transformando numa epidemia nacional.
O alerta é do presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Acrísio Sena (PT), feito na abertura do I Fórum Cearense sobre o crack e outras drogas, realizado nesta segunda-feira (28), na sede do Legislativo. O momento, organizado pela Associação Brasileira de Assistência aos Dependentes Químicos (ABRADEQ), debate a necessidade de políticas públicas preventivas ao consumo de drogas.
O Fórum irá elaborar uma Carta de Propostas, com 35 reivindicações, ao Governo do Estado. Dentre as proposições ao Executivo Estadual está a criação de uma Secretaria de Defesa Social e de Políticas Públicas contra as Drogas.
Acrísio Sena alertou para o alcance do crack na sociedade brasileira, citando como exemplo o município de Icapuí (CE) e Brasília (DF). O parlamentar atentou para um documentário sobre dependentes do crack, mostrando que o problema atinge várias classes sociais. “O crack não é só um problema da classe baixa, entre os usuários estão médicos, policiais, prostitutas, moradores de ruas”, citou.

Para o diretor geral da ABRADEQ, Carlos Dantas, este é momento de todos os segmentos debaterem a situação na busca de políticas públicas eficazes. “O crack se transformou numa verdadeira epidemia, destruindo uma grande parte de nossa juventude”, colocou.

O presidente da Ordem do Advogados do Brasil Seção Ceará
Valdetário Monteiro destacou papel de entidades e poder público na concientização do dever de todos no combate ao crack.
“Há uma luz no fim do túnel. Precisamos ter uma reação em cadeia”, apontou Valdetário, colocando a OAB à serviço da população.
Campanha
Acrísio Sena colocou a Câmara à disposição do movimento, chamando esta responsabilidade para todos os segmentos da sociedade. O presidente destacou ainda a realização de uma campanha preventiva pelo Legislativo, que fará parte da programação do projeto Câmara nos Bairros.
A primeira sessão especial da Câmara nos Bairros acontecerá no Centro Urbano de Cultura e Arte (CUCA) da Barra do Ceará, na próxima quinta-feira, 31. O objetivo é ouvir os anseios da população, levando os poderes municipais e estaduais para possivéis esclarecimentos, além de levar os parlamentares para próximo das comunidades.
Durante a ocasião, foi prestada uma homenagem ao Dr. Silas Munguba, fundador do Desafio Jovem. O Fórum contou com a participação do vereador Antônio Henrique (PTN), de representantes do Ministério Público e do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas no Ceará (CEPOD), Dra. Luciana Frota e Dr. José Hermam Normando, respectivamente.
Prevenção é o melhor tratamento no combate às drogas, diz especialista
Na abertura do ciclo de debates do I Fórum Cearense sobre o crack e outras drogas, com a palestra “Complicações sociais e uso de substâncias psicoativas”, o psicólogo Dr. Paulo Cezar Filho destacou a dependência química como um eixo dos problemas sociais, e que este é um fator cultural, iniciado com o uso do álcool. “A pobreza não é o grande problema da dependência, e sim a cultura na sociedade. O álcool é o berço para o uso de outras drogas”, apontou.
De acordo com ele, a questão do combate às drogas deve começar com o trabalho preventivo, principalmente no início do consumo de álcool. “Todos os problemas estão ligados à questão das drogas, mais de 70% dos acidente nas estradas são devidos ao uso de estimulantes”, colocou Paulo Cezar, destacando ainda que o maior índice de demissão é pelo uso de álcool.
O psicólogo abordou as diversas situações enfrentadas pelos dependentes químicos, principalmente do usuário de crack. Elas englobam o ambiente familiar, trabalho, situação financeira, crimes, prostituição e desocupação. Paulo Cezar descreveu as principais coisas que acontece com o eixo familiar do dependente, que, segundo ele, é o que tem maior prejuízo.
“A família adoece e começa a suprir a necessidade do dependente, criando uma relação de co-dependência”, salientou Paulo Cezar. Devido a essa questão, o tratamento do dependente deve se estender ao eixo familiar, como relatou o psicólogo.
No ambiente de trabalho, o dependente começa a perder a noção de compreensão, chegando muitas vezes a faltar com os compromissos, o que ocasiona a sua demissão. O trabalho mostra-se apenas como um meio de manter o vício, que ocasiona no aumento das dívidas, culminando com o abandono da família. Na mente do usuário de crack, como colocou Paulo Cezar, o dinheiro se materializa na quantidade de droga que ele poderá comprar.
Fonte: CNEWS
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